A magia da mulher que faz seu próprio perfume

...e tem um cheiro único, só seu

O cheiro é a forma mais forte de memória.

No fim da década de 90 e começo dos anos 2000, as meninas e pré-adolescentes tinham predominantemente dois cheiros, de acordo com a condição financeira dos pais: Ou Má Cherie, do Boticário; ou Angel, aquele perfume importado (enjoatiiiivo), com garrafa de estrela azul.

Não lembro qual perfume eu usava nessa época, nem mesmo se usava perfume, mas por volta dos 18 anos ganhei um adocicado J’adore, da Dior, um cheiro de femme fatale, mulher ryca e sexy, que provavelmente destoava bastante das minhas bochechas adolescentes e minha imagem um tanto quanto juvenil.

Um pouco mais tarde, ganhei usado mas com a embalagem quase cheia um frasco de L’eau d’Issey (Issey Miake), um perfume intenso mas fresco, levemente cítrico, como a brisa do mar.

Era perfeito. Todo mundo elogiava, e realmente combinava comigo e com a minha personalidade.

Eu sempre gostei da ideia de ter uma assinatura olfativa, um cheiro pelo qual as pessoas facilmente me identificassem, e o L’eau D’Issey era o perfume ideal pra cumprir esse objetivo.

Só tinha um problema: cada vidro custava cerca de 500 reais, basicamente o valor da bolsa de estágio que eu ganhava na época por um mês de trabalho.

O jeito era alternar. Usava “Floratta en Rose”, do Boticário, de dia, pra ir na faculdade, e ele à noite, pra sair… e mesmo assim tava ficando complicado de manter a tal da minha assinatura olfativa.

“O perfume de uma mulher diz mais
sobre ela do que sua própria escrita.”

(Christian Dior) 

Tudo mudou em 2012, quando conheci um perfume chamado Mulher das Matas, da Pachamama, uma marca local (toooda natural e um tanto quanto tilelê) da minha cidade, Belo Horizonte.

Isso aqui não é publi, não tenho nem leitores por aqui ainda, quiçá patrocinadores – é só realmente um pedaço da minha história.

Com um cheiro de mato intenso e cítrico (uma mistura de alecrim e capim cidreira) e notas florais (gerânio) ele era realmente delicioso. O perfume era diferente. Não era spray, era um óleo, o que fazia com que sua fixação fosse excelente.

Todo mundo ficava encantado ao senti-lo e como a marca era pequena ninguém tinha esse cheiro. Eu enfim conquistava minha assinatura olfativa, e por cerca de 60 reais (hoje em dia a embalagem é maior e custa um pouco mais).

O bônus extra (os efeitos da aromaterapia) eu rapidamente descobri quando fumei um baseado e senti uma onda diferente, uma mistura do beque com o efeito calmante e ansiolítico dos óleos essenciais sobre meus corpos sutis.

Quanta magia cabe em um vidrinho de 10ml?
O poderoso mundo dos óleos essenciais

Eu já usava (e amava) o tal do óleo/perfume há quatro anos, sabia que tinha óleos essenciais lá dentro, mas isso pra mim não significava nada além de um cheirinho muito gostoso.

Não tinha a menor ideia do que fossem de fato óleos essenciais, suas aplicações e utilidades. Foi só em 2016, em meio a uma crise insuportável de infecção urinária, que eu enfim adquiri meu primeiro vidrinho de 10 ml de côr âmbar recheado de um conteúdo mágico.

Eu estava num relacionamento abusivo e minhas partes íntimas gritavam sinais de alerta psicosomáticos. As infecções urinárias eram constantes e as idas à ginecologista também.

Pelo menos uma vez por mês, eu saía do consultório com receitas de anti-bióticos que resolviam a infecção urinária, mas logo desarrumavam toda a minha flora vaginal, e poucas semanas depois lá estava eu marcando uma consulta de urgência pra cuidar da cândida.

Nessa época passei a buscar por alternativas mais naturais para cuidar dos desequilíbrios que se manifestavam. Aprendi a fazer banhos de assento com ervas poderosas, usar óleo de côco, soluções bicabornato de sódio, o que podia comer e o que não podia nesses períodos… e depois de um tempo de busca, chegaram até mim indicações dos tais óleos essenciais.

Fui na casa de um conhecido que a mãe era bruxa. Ela fazia seus atendimentos e trabalhava suas magias no sótão da grande casa. Ali, além de muitos futtons espalhados pelo chão e algumas telas de pintura (acho que ela mexia também com arte-terapia), no canto da sala avistei uma estante de madeira repleta de cima à baixo por centenas de vidrinhos côr de âmbar.

Ela selecionou um e me orientou a pingar três gotinhas na calcinha todo dia por 7 dias. Me contou o caso de uma sobrinha meio maluca que pingou as gotas na mão e tacou direto na perereca, já com o ventilador à postos para aliviar-lhe o intenso ardor provocado pela medicina.

Era óbvio que eu seguiria os passos da sobrinha. Cheguei em casa, pinguei na mão e passei direto na minha menina. Ardeu, queimou, mas a infecção urinária passou.

(Hoje sei que é uma loucura fazer isso, e que esse óleo essencial em si é tão forte que é capaz não só de matar bactérias da infecção urinária, quanto de até mesmo desinfectar um banheiro!)

Nesse texto aqui eu explico como curei de uma vez por todas os ciclos de infecção urinária e cândida… e NUNCA MAIS TIVE nenhuma das duas. Spoiler: Não foi à partir de nenhum óleo essencial ou tratamento invasivo.

De qualquer forma, foi essa experiência intensa (como são sempre os processos iniciáticos) que me abriu as portas para o maravilhoso mundo dos óleos essenciais.

Curiosa que sou, é óbvio que fiquei querendo saber mais sobre o assunto. Logo lembrei de um casal de amigos da faculdade (ela bióloga e ele psicólogo) que desde daquela época já estudavam e pregavam sobre as mil e uma utilidades da aromaterapia.

Atualmente trabalhavam exclusivamente com isso: e não só vendiam os poderosos frasquinhos como estavam fazendo um bom dinheiro com lançamento de cursos online ensinando sobre o uso dos OE’s para a confecção de cosméticos.

Procurei a moça do casal falando que queria montar um kit de óleos pra mim, mas que precisava de ajuda para tanto. Combinamos um passeio. Eles me pegaram de carro, um carro luxuoso de banco de couro. (O negócio é lucrativo, pensei.)

Sentei no banco de trás, como uma criança acompanhando seus pais. Eles logo me passaram uma barra de chocolate importado, Lindt crocante, coincidentemente meu favorito, e eu logo saquei que aquela seria uma noite sensorial intensa.

Nos encaminhamos então para a praça mais alta da cidade, onde há uma vista privilegiada de todo o resto e o centro urbano brilha como estrelinhas. Deu-se início à orgia aromática. Eu abria um por um dos frascos e aspirava seus cheiros, enquanto recebia informações sobre a utilidade dos mesmos.

Gostava de uns e rejeitava outros, mas o casal me ensinava a respeitar à todos: Alguns dos fedidos eram extremamente úteis e poderosos. Tinham propriedades que curavam não só o corpo físico (como eu já tinha aprendido empiricamente com as disfunções vaginais), como também causavam impacto profundo sobre os corpos sutis.

Aprendi que tinham óleos que curavam depressão, outros que despertavam o espírito e aumentavam a concentração e outros ainda que relaxavam o corpo pra uma boa noite de sono. Aprendi que tinham óleos essenciais afrodisíacos para o homem e outros que aumentavam a libido e a sensualidade da mulher.

Ao perceber o poder oculto naqueles vidrinhos de âmbar, vi crescer em mim a ambição de ter a minha própria coleção de óleos essenciais. Um hobbie não muito barato, convenhamos. Como eu não tinha muita grana, dei meus pulos para alcançar meu objetivo: logo virei revendedora de OE’s.

E mesmo comprando com desconto, gastei uma boa grana para montar minha coleção. Por mais que eu soubesse (por alto) dos benefícios e do potencial medicinal dos óleos, meu interesse naquele momento era puramente olfativo e sensorial.

Eu queria fazer o meu próprio perfume. Eu tinha essa ideia fixa: queria que meu cheiro fosse único.

Pesquisei e aprendi técnicas, estratégias e ingredientes (naturais) para aumentar o tempo de fixação. Aprendi que na perfumaria os óleos essenciais variam em densidade, que os mais voláteis são a primeira nota que você sente, mas que logo se dissipa… E que os densos, as notas baixas, são o fundo, o que vai permanecer depois de horas de aplicação.

Criei uma receita base, uma combinação complexa de cerca de 7 óleos essenciais, que foi sendo aprimorada.. e que uso até hoje. Fiz versões dela em spray e também em óleo hidratante, que eu usava junto e potencializava ainda mais o cheiro.

Também desenvolvi receitas de perfumes para o meu namorado da época (que deixava as mulheres loucas com ele, hahaha) e para meu pai e minha mãe. Já recebi muitos pedidos de encomenda, pessoas perguntando se eu vendo… Mas eu não vendo não, faço só pra mim.

É um hobbie. Me sinto uma alquimista produzindo meu próprio perfume. É um momento meio mágico observar como as gotas dos diferentes óleos essenciais se comportam na solução à base de álcool cereal, cada uma com sua peso, densidade e dança característica em contato com o solvente. Colocar uma intenção naquele processo.. é realmente muito gostoso.

Além de ter um cheiro único e de poder responder orgulhosa “obrigada, eu que fiz” depois de te elogiarem, o lado positivo de fazer seu próprio perfume é que mais do que simplesmente um aroma gostoso, o líquido pode ter propriedades curativas, fortalecedoras e regenerativas para os seus campos sutis.

O lado negativo é ter que conviver com pessoas com um catálogo olfativo ultra restrito, que vão ficar tentando adivinhar “que cheirinho gostoso é esse” e nesse interim fazendo as comparações mais esdrúxulas. (“Hmmm… tem eucalipto?“) 🙄

Mas… Depois de 5 anos usando praticamente o mesmo cheiro, que é uma onda bem floresta-úmida-brisa-do-mar-levemente-floral-mas-ainda-assim-bem-cítrico, estou me preparando pra mudar.

Se eu sou uma nova mulher, também mereço um novo perfume pessoal. Acho que agora, aos 31 anos, estou merecendo um cheiro mais femme fatale… Porquê se a menina de 17 não dava conta de segurar, a mulher de hoje dá conta sim senhor.

Que venha!

Recapitulando:

  • Nem todo óleo essencial é cheiroso,
  • Mas todo óleo essencial tem as suas utilidades.

  • Os óleos essenciais tem propriedades que atuam tanto nos corpos físicos quanto nos corpos sutis.

  • Existem óleos essenciais que são ótimos para lidar com fungos e bactérias, alergias, machucados, auxiliar na cicatrização, afastar insetos…
  • Outros ajudam a aliviar dor de cabeça, evitam gripe, aumentam imunidade;
  • Outros ainda estimulam crescimento capilar, evitam calvície, são anti-rugas (o babado só cresce em intensidade e potência!).

  • Alguns óleos essenciais podem ir direto na pele, outros não.
  • Você pode usar um óleo essencial (que possa ir diretamente na pele) sozinho como perfume, mas há uma chance grande desse óleo sozinho não ter uma boa fixação – uma andorinha só não faz verão;
  • O barato começa a ficar louco é na mistura dos óleos essenciais, em harmonizá-los – Há uma gama infinita de cheiros e possibilidades de combinação.

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